Tudo o que ele esperava era uma carta de boa-noite. Almejava tão-somente uma mensagem de carinho escrita pelos dedos dela. Rememoraria, de tal forma, o perfume liliáceo de sua amada e reinventaria, com isso, o conceito do amor. Pensou melhor - e, logo, chegou à derradeira conclusão. Naquela morna noite de incontáveis estrelas, o que ele mais gostaria era de encontrar os olhos dela e de sua boca beijar. Já não tinha para si os motivos que o levaram a se esquecer dos lábios de sua querida. Lembrou-se, então, repentinamente, de como eles eram sedosos e naturalmente rosados; ou de como - com a mais sincera das alegrias - sorriam sorrisos cuja graciosidade abrandava tempestades quaisquer.
Foi envolto em tal nuvem de pensamentos que o Navegante das Falésias recostou-se ao tronco de um velho carvalho. Sua face fitava - sem realmente ver - o negrume que resplandecia aos céus. Enquanto isso, sua mente velejava para longe, aos mares das notícias amorosas. O pobre marinheiro imaginou se a jovem dos cabelos dourados nele pensava - onde quer que ela estivesse. O sirdanês tentou, também, constatar se a miraslaviana um dia amou-o como ele ainda a amava: uma dúvida irresoluta. Tal é a natureza dos mais puros sentimentos.
Saudoso, ele desejava - dos porões de seu coração endurecido - que a alma da Princesa fosse protegida. O timoneiro decidiu, então, que a Grande Mãe certamente não permitiria nada além da felicidade plena como guia da doce Julia. Com isso, ele determinou-se a não dormir; afinal, saborearia - por todo o restante da madrugada - o retorno daquelas memórias outrora em brumas. Entretanto, ele bem sabia que as raízes do carvalho sirdanês abrem a mente dos homens aos sonhos. O Navegante, portanto, cerrou lentamente os olhos - e sonhou.
A primeira imagem que viu foi o poente ao horizonte. Já a segunda não podia ser classificada como uma imagem propriamente dita - embora servisse muito bem como tal em matéria de recordações. A imagem conseguinte, portanto, era a de um frio hórrido. Era o tipo de tempo capaz de tudo congelar. Até mesmo os ventos sofriam de tamanhos males. Enxergava o observador atento os desenhos que o vento formava no frio. A habilidade era imbuída até mesmo àqueles que - ao mesmo tempo distraídos e dedicados - se ocupavam com a tarefa de reconfortar, com o calor de um abraço, seus eternos amores.
As nuvens banhavam-se nos raios alaranjados do Sol, os quais chegavam ao rosto do Navegante entrecortados por umas poucas árvores. O homem logo percebeu algo de diverso: não eram casas baixas nem castelos que rodeavam-no. De ambos os seus lados, construções imensas foram erigidas. O experiente capitão jamais havia visto algo como aquilo. Eram blocos cujo fim, ao alto do Firmamento, não era possível observar; eram, além disso, recobertos ao todo por vidro espelhado - de modo que seus devidos reflexos confundiam-se com o ambiente.
Seus pés pisavam uma rua - ou algo que assemelhava-se a tal via. O chão, afinal, não era coberto por paralelepípedos; uma espécie de material preto recobria-a. Faixas diversas - brancas e amarelas - foram pintadas ao longo do trajeto infinitamente retilíneo ao meio do qual o Navegante se inseria. Aquela rua negra somava-se ao mar de construções colossais para nausear o pobre marinheiro. O que ele via amplificava a sensação de claustro irremediável anteriormente inaugurada em seu estômago. Receoso, o homem optou por esquadrinhar sua vizinhança em busca de uma motivação que para lá transportaria sua mente.
O que pôde constatar, todavia, não lhe foi de bom grado. A base dos blocos refletia também sua imagem. No lugar de seu manto tradicional, o Navegante vestia um grosso sobretudo escuro, sem capuz e amarrado pela cintura. Suas vestes de lã não mais o vestiam. Por baixo do sobretudo, vinha um casaco fechado, de cor bordô e fabricado em material bastante próximo ao algodão do Leste. Um cachecol claro abraçava seu pescoço - à moda da União do Norte. Seguindo também os curiosos unionistas ia a touca azul à cabeça do marinheiro. A seguir, observou o que mais o impressionou: seus cabelos castanhos atingiam-lhe os ombros e sua barba estava feita.
Aqueles certamente não eram seus tempos. O amor - sabia o timoneiro - seduzia a mente como fazia a naus a ressaca marítima. E, assim, uma vez mais suas sinapses trabalhavam em prol do destino. Para onde teria ele sido levado não sabia; sua plena certeza era a de que assistia ele ao futuro - longínquo, talvez - de uma próxima vida. Incerto estava do que não poderia estar: o porquê do sonho. Foi quando o Navegante vislumbrou uma figura que rumava a um beco próximo ao horizonte, a cerca de cem metros dali. Ele percebeu as longas ondas de fios dourados que corriam junto à pessoa. Seu coração - sentiu ele - perdeu então um batimento.
Julia corria ao longe - como em fuga. Eles eram os únicos seres que pisavam a região; sua amada, por essa razão, era inconfundível. Desde os ombros largos ao porte gracioso com o qual se movimentava, toda ela era Julia. A jovem dos fios dourados parecia ter pressa; o timoneiro, pois, tratou de também correr a fim de alcançá-la. Seus pés lembravam-no o galope do "Águia do Norte" por sobre ondas ferozes. Até que completasse o trecho até o beco onde vira Julia entrar, os segundos pesavam-lhe os ombros. Os colossos avizinhados fechavam-se sobre o homem - como em repúdio a sua atitude. A todos os empecilhos ele resistiu - e, enfim, alcançara a ruela.
O beco desembocava em um local com aspecto de clareira, quadrada e bordejada por paredes cinzentas. As construções espelhadas erguiam-se, ainda, de modo a incisarem os céus. O chão era recoberto por grama, e algumas árvores baixas foram ali plantadas. De costas para o Navegante, Julia, por sua vez, repousava em um banco de madeira. A julgar pela leve torção de seu pescoço, a jovem parecia ainda direcionar o olhar para sua direita. Seguindo aquela possível direção, o capitão deparou-se com uma árvore grandiosa - ao centro da clareira urbana. Era uma figueira bastante antiga, cujos galhos ramificavam-se de modo quase infinito. A altura dela impressionaria até mesmo seus compatriotas das montanhas. Cerca de trinta metros incumbiam-se à planta - imersa em um mar de raízes superficiais.
O sirdanês - em meio à confusão de folhas que agora via - quase não pôde perceber uma casa baixa próxima à árvore. A construção parecia abandonada, a julgar pelas raízes da figueira que penetravam portas, janelas e paredes. Ao invés de um telhado, havia um terraço - onde um jardim putrefazia-se. Os olhos do Navegante retornaram, assim, a sua amada. Naquele momento, Julia colocava-se de pé. Ela, a seguir, pôs-se a rumar à casinha - sem antes lançar um meio sorriso ao capitão. Um fato, contudo, enganava aos olhos: a grama parecia mais verde ao redor das botas da miraslaviana.
Era a mulher movimentar-se que flores e mais flores irrompiam da terra. Por causa disso, o chão imergiu num banho de cores fúlgidas. Julia rodava e dançava, afagada pelas mãos da Mãe Verde. A vida - depois de tanto tempo - alcançava, veloz, o sangue que fluía por aquele casal. Enfim o manto cálido da felicidade acalentava-os com todo o amor possível. O sirdanês, então, sentiu seu mundo girar. Com isso, a clareira artificial transmutou-se à velha taverna da Miraslávia. De longe, o Navegante observava, assim, a jovem dos olhos cristalinos como se pela primeira vez.
Se, naqueles tempos, o homem tivera como inesquecível o enlevo atribuído à ocasião, a vida - perseverante - dilacerara-lhe toda alegria do coração. Dessa forma, até aquele dado momento, pouco restara de tais sensações senão as brumas da consciência. Agora, sua visão - todavia - lembrava-o de como uma vez explorara a doçura oclusa na amargura de um mundo cruel. O capitão podia ouvir, ao longe, risadas trôpegas de sua tripulação ou discussões calorosas de seus amigos miraslavianos. Além disso, pôde ele sentir - novamente - seu coração apertar-lhe as costelas com batimentos tempestuosos. Mais linda que o céu estrelado em noite de lua nova era sua amada, afinal.
Cada ondular dos cabelos dourados da Julia do passado amaciava o coração de um marinheiro envelhecido. Diferentes tempos mesclavam-se em uma só mente ante o turbilhão de antigas memórias. O homem - no futuro - desabou, então, em pranto. O Pai de Todos injustiçara-o, pensou ele; sequer sabia o que se sucedera àquela que tanto amara - e que amou, amava e sempre amaria. Em reação a tal pensamento, o sonho do Navegante distorceu-se até que retornasse à cena original. A Princesa agora subia saltitando as escadas que conduziam ao terraço do casebre abandonado. Ao ver o companheiro, a jovem demonstrou preocupação em seu semblante. Ela, no entanto, nada fez; prostrou-se, tão-somente, em sua posição até que o timoneiro se recobrasse.
O timoneiro secou os olhos marejados com a manga de seu sobretudo e colocou-se novamente em pé. Julia sorriu calorosamente a tal atitude e seguiu a caminho do jardim pútrido. Quando o casal chegou ao terraço, o céu já iluminava-se no alaranjado do poente. Raios solares atingiam-nos por entre os vãos criados entre uma e outra das construções avizinhadas. O vento era fresco: embora frio, adequado à situação. Alguns dos dedos da jovem brincavam com fios dourados que se soltaram de seu penteado. Outros, por sua vez, davam vida a distorções secas que um dia apresentavam-se como lírios alvos e rosas vermelhas. Já o confuso Navegante respirava profundamente diante de sua mente embaralhada.
Daquela forma, lado a lado, permaneceram ambos. Rapidamente, renovação soprava sobre as plantas há muito lá mortas. O timoneiro constatou, por isso, o quão tolos eram os homens por não admirarem devidamente o esmero com que a Grande Mãe trabalhava. Com o Sol iluminando de relance a seda de seu rosto, a Princesa por fim abrigou as mãos de seu bem-querer nas suas. O quão ternos eram aqueles olhos verde-claros nem mesmo o Rei Mirus ou o grande Jonas poderiam saber. Cada vez mais profundamente o sirdanês mergulhava na lagoa de esmeraldas daquele olhar único - até que Julia, em seu onipresente sorriso, disse-lhe:
"Amor meu, temia que tu não viesses... Enfim aqui estamos. Juntos depois de tanto, tanto, tanto tempo."
Ao que o Navegante das Falésias respondeu:
"Querida minha, saiba que sempre te..."
A primeira imagem que viu foi o poente ao horizonte. Já a segunda não podia ser classificada como uma imagem propriamente dita - embora servisse muito bem como tal em matéria de recordações. A imagem conseguinte, portanto, era a de um frio hórrido. Era o tipo de tempo capaz de tudo congelar. Até mesmo os ventos sofriam de tamanhos males. Enxergava o observador atento os desenhos que o vento formava no frio. A habilidade era imbuída até mesmo àqueles que - ao mesmo tempo distraídos e dedicados - se ocupavam com a tarefa de reconfortar, com o calor de um abraço, seus eternos amores.
As nuvens banhavam-se nos raios alaranjados do Sol, os quais chegavam ao rosto do Navegante entrecortados por umas poucas árvores. O homem logo percebeu algo de diverso: não eram casas baixas nem castelos que rodeavam-no. De ambos os seus lados, construções imensas foram erigidas. O experiente capitão jamais havia visto algo como aquilo. Eram blocos cujo fim, ao alto do Firmamento, não era possível observar; eram, além disso, recobertos ao todo por vidro espelhado - de modo que seus devidos reflexos confundiam-se com o ambiente.
Seus pés pisavam uma rua - ou algo que assemelhava-se a tal via. O chão, afinal, não era coberto por paralelepípedos; uma espécie de material preto recobria-a. Faixas diversas - brancas e amarelas - foram pintadas ao longo do trajeto infinitamente retilíneo ao meio do qual o Navegante se inseria. Aquela rua negra somava-se ao mar de construções colossais para nausear o pobre marinheiro. O que ele via amplificava a sensação de claustro irremediável anteriormente inaugurada em seu estômago. Receoso, o homem optou por esquadrinhar sua vizinhança em busca de uma motivação que para lá transportaria sua mente.
O que pôde constatar, todavia, não lhe foi de bom grado. A base dos blocos refletia também sua imagem. No lugar de seu manto tradicional, o Navegante vestia um grosso sobretudo escuro, sem capuz e amarrado pela cintura. Suas vestes de lã não mais o vestiam. Por baixo do sobretudo, vinha um casaco fechado, de cor bordô e fabricado em material bastante próximo ao algodão do Leste. Um cachecol claro abraçava seu pescoço - à moda da União do Norte. Seguindo também os curiosos unionistas ia a touca azul à cabeça do marinheiro. A seguir, observou o que mais o impressionou: seus cabelos castanhos atingiam-lhe os ombros e sua barba estava feita.
Aqueles certamente não eram seus tempos. O amor - sabia o timoneiro - seduzia a mente como fazia a naus a ressaca marítima. E, assim, uma vez mais suas sinapses trabalhavam em prol do destino. Para onde teria ele sido levado não sabia; sua plena certeza era a de que assistia ele ao futuro - longínquo, talvez - de uma próxima vida. Incerto estava do que não poderia estar: o porquê do sonho. Foi quando o Navegante vislumbrou uma figura que rumava a um beco próximo ao horizonte, a cerca de cem metros dali. Ele percebeu as longas ondas de fios dourados que corriam junto à pessoa. Seu coração - sentiu ele - perdeu então um batimento.
Julia corria ao longe - como em fuga. Eles eram os únicos seres que pisavam a região; sua amada, por essa razão, era inconfundível. Desde os ombros largos ao porte gracioso com o qual se movimentava, toda ela era Julia. A jovem dos fios dourados parecia ter pressa; o timoneiro, pois, tratou de também correr a fim de alcançá-la. Seus pés lembravam-no o galope do "Águia do Norte" por sobre ondas ferozes. Até que completasse o trecho até o beco onde vira Julia entrar, os segundos pesavam-lhe os ombros. Os colossos avizinhados fechavam-se sobre o homem - como em repúdio a sua atitude. A todos os empecilhos ele resistiu - e, enfim, alcançara a ruela.
O beco desembocava em um local com aspecto de clareira, quadrada e bordejada por paredes cinzentas. As construções espelhadas erguiam-se, ainda, de modo a incisarem os céus. O chão era recoberto por grama, e algumas árvores baixas foram ali plantadas. De costas para o Navegante, Julia, por sua vez, repousava em um banco de madeira. A julgar pela leve torção de seu pescoço, a jovem parecia ainda direcionar o olhar para sua direita. Seguindo aquela possível direção, o capitão deparou-se com uma árvore grandiosa - ao centro da clareira urbana. Era uma figueira bastante antiga, cujos galhos ramificavam-se de modo quase infinito. A altura dela impressionaria até mesmo seus compatriotas das montanhas. Cerca de trinta metros incumbiam-se à planta - imersa em um mar de raízes superficiais.
O sirdanês - em meio à confusão de folhas que agora via - quase não pôde perceber uma casa baixa próxima à árvore. A construção parecia abandonada, a julgar pelas raízes da figueira que penetravam portas, janelas e paredes. Ao invés de um telhado, havia um terraço - onde um jardim putrefazia-se. Os olhos do Navegante retornaram, assim, a sua amada. Naquele momento, Julia colocava-se de pé. Ela, a seguir, pôs-se a rumar à casinha - sem antes lançar um meio sorriso ao capitão. Um fato, contudo, enganava aos olhos: a grama parecia mais verde ao redor das botas da miraslaviana.
Era a mulher movimentar-se que flores e mais flores irrompiam da terra. Por causa disso, o chão imergiu num banho de cores fúlgidas. Julia rodava e dançava, afagada pelas mãos da Mãe Verde. A vida - depois de tanto tempo - alcançava, veloz, o sangue que fluía por aquele casal. Enfim o manto cálido da felicidade acalentava-os com todo o amor possível. O sirdanês, então, sentiu seu mundo girar. Com isso, a clareira artificial transmutou-se à velha taverna da Miraslávia. De longe, o Navegante observava, assim, a jovem dos olhos cristalinos como se pela primeira vez.
Se, naqueles tempos, o homem tivera como inesquecível o enlevo atribuído à ocasião, a vida - perseverante - dilacerara-lhe toda alegria do coração. Dessa forma, até aquele dado momento, pouco restara de tais sensações senão as brumas da consciência. Agora, sua visão - todavia - lembrava-o de como uma vez explorara a doçura oclusa na amargura de um mundo cruel. O capitão podia ouvir, ao longe, risadas trôpegas de sua tripulação ou discussões calorosas de seus amigos miraslavianos. Além disso, pôde ele sentir - novamente - seu coração apertar-lhe as costelas com batimentos tempestuosos. Mais linda que o céu estrelado em noite de lua nova era sua amada, afinal.
Cada ondular dos cabelos dourados da Julia do passado amaciava o coração de um marinheiro envelhecido. Diferentes tempos mesclavam-se em uma só mente ante o turbilhão de antigas memórias. O homem - no futuro - desabou, então, em pranto. O Pai de Todos injustiçara-o, pensou ele; sequer sabia o que se sucedera àquela que tanto amara - e que amou, amava e sempre amaria. Em reação a tal pensamento, o sonho do Navegante distorceu-se até que retornasse à cena original. A Princesa agora subia saltitando as escadas que conduziam ao terraço do casebre abandonado. Ao ver o companheiro, a jovem demonstrou preocupação em seu semblante. Ela, no entanto, nada fez; prostrou-se, tão-somente, em sua posição até que o timoneiro se recobrasse.
O timoneiro secou os olhos marejados com a manga de seu sobretudo e colocou-se novamente em pé. Julia sorriu calorosamente a tal atitude e seguiu a caminho do jardim pútrido. Quando o casal chegou ao terraço, o céu já iluminava-se no alaranjado do poente. Raios solares atingiam-nos por entre os vãos criados entre uma e outra das construções avizinhadas. O vento era fresco: embora frio, adequado à situação. Alguns dos dedos da jovem brincavam com fios dourados que se soltaram de seu penteado. Outros, por sua vez, davam vida a distorções secas que um dia apresentavam-se como lírios alvos e rosas vermelhas. Já o confuso Navegante respirava profundamente diante de sua mente embaralhada.
Daquela forma, lado a lado, permaneceram ambos. Rapidamente, renovação soprava sobre as plantas há muito lá mortas. O timoneiro constatou, por isso, o quão tolos eram os homens por não admirarem devidamente o esmero com que a Grande Mãe trabalhava. Com o Sol iluminando de relance a seda de seu rosto, a Princesa por fim abrigou as mãos de seu bem-querer nas suas. O quão ternos eram aqueles olhos verde-claros nem mesmo o Rei Mirus ou o grande Jonas poderiam saber. Cada vez mais profundamente o sirdanês mergulhava na lagoa de esmeraldas daquele olhar único - até que Julia, em seu onipresente sorriso, disse-lhe:
"Amor meu, temia que tu não viesses... Enfim aqui estamos. Juntos depois de tanto, tanto, tanto tempo."
Ao que o Navegante das Falésias respondeu:
"Querida minha, saiba que sempre te..."
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