quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Nascer

Do alto dos montes de sua terra natal, o Andarilho observava. Diversas e inúmeras eram suas andanças; ali, todavia, naquele mesmo ponto, conduzia-lhe Hallak, o Grande Destino. Assim, de onde estava, enxergava a imensidão do Mar Leuceu; a ele recostado estava a singela cidade de Lianea. Há pouco amanhecera e, portanto, não se via movimento de seus conterrâneos. Apenas as chaminés das pequenas casas estavam ativas, despejando trilhas de fumaça nos céus — como uma tímida oferenda ao cálido Sol daquela manhã. O sopro do vento meridional satisfazia ao homem. Afinal, dias mais quentes estavam por vir — e disso ele tinha certeza.

Rodeava os pés do Andarilho uma vasta floresta de pinheiros. As árvores ainda salpicavam-se de tufos de neve. Também, elas circundavam os limites da cidade e, dali, se estendiam país adentro. Quilômetros do mais vasto ecossistema já disponibilizado pela Grande Mãe: tal era a topografia de Sirdan. O Andarilho e o onipresente verde, somado ao sutil branco, eram, decerto, amigos. A atenção do velho sirdanês — no entanto — não se concentrava em seus fiéis companheiros. Sequer os alegres rodopios aéreos das águias eram dignos de seu estudo. De pé, o homem repousava seu olhar treinado para bem longe dali.