Tudo o que ele esperava era uma carta de boa-noite. Almejava tão-somente uma mensagem de carinho escrita pelos dedos dela. Rememoraria, de tal forma, o perfume liliáceo de sua amada e reinventaria, com isso, o conceito do amor. Pensou melhor - e, logo, chegou à derradeira conclusão. Naquela morna noite de incontáveis estrelas, o que ele mais gostaria era de encontrar os olhos dela e de sua boca beijar. Já não tinha para si os motivos que o levaram a se esquecer dos lábios de sua querida. Lembrou-se, então, repentinamente, de como eles eram sedosos e naturalmente rosados; ou de como - com a mais sincera das alegrias - sorriam sorrisos cuja graciosidade abrandava tempestades quaisquer.
Foi envolto em tal nuvem de pensamentos que o Navegante das Falésias recostou-se ao tronco de um velho carvalho. Sua face fitava - sem realmente ver - o negrume que resplandecia aos céus. Enquanto isso, sua mente velejava para longe, aos mares das notícias amorosas. O pobre marinheiro imaginou se a jovem dos cabelos dourados nele pensava - onde quer que ela estivesse. O sirdanês tentou, também, constatar se a miraslaviana um dia amou-o como ele ainda a amava: uma dúvida irresoluta. Tal é a natureza dos mais puros sentimentos.
Saudoso, ele desejava - dos porões de seu coração endurecido - que a alma da Princesa fosse protegida. O timoneiro decidiu, então, que a Grande Mãe certamente não permitiria nada além da felicidade plena como guia da doce Julia. Com isso, ele determinou-se a não dormir; afinal, saborearia - por todo o restante da madrugada - o retorno daquelas memórias outrora em brumas. Entretanto, ele bem sabia que as raízes do carvalho sirdanês abrem a mente dos homens aos sonhos. O Navegante, portanto, cerrou lentamente os olhos - e sonhou.